Rodoliv - Jornal Reconquista - Edição de 25-06-2009

Rodoliv – Cooperativa de Azeite de Ródão

Por: Lídia Barata
25 de Junho de 2009 às 12:23h

Trabalho é centrado na qualidade

Passo a passo, a Rodoliv - Cooperativa de Azeite de Ródão viu o seu produto certificado e premiado, resultado de um trabalho desenvolvido em prol de um único objectivo, a qualidade.

O “ouro líquido” da região de Vila Velha de Ródão continua a somar créditos. A adaptação, evolução e modernização da Cooperativa de Azeite de Ródão foi o primeiro passo, consolidado depois com a certificação de um azeite que hoje tem assento entre os melhores do mundo.

“O segredo é trabalhar sempre em função de um único objectivo, a qualidade”, refere o presidente da direcção, Carlos Lourenço, uma ideia corroborada por José Henriques, a grande “alavanca” e “alma” da Cooperativa, e por João Domingos, director de produção.

A medalha de bronze conseguida na Bienal do Azeite em Castelo Branco e o ouro conseguido em Santarém são mais-valias que vão somando, na certeza de que são “o reconhecimento da qualidade de todo o trabalho que é feito na Cooperativa, mas também do esforço dos sócios em manter esta qualidade”.

Carlos Lourenço reconhece que “a Cooperativa tem-se distinguido”, mas, segundo José Henriques, foi preciso vencer muitos “velhos do Restelo”.

Fundada em 1987, os seus 22 anos de existência contam uma história de persistência e evolução. “O primeiro ano de actividade foi uma escola. Tivemos uma campanha com 600 toneladas, mas ainda com pouco equipamento e falta de gente qualificada”, lembra José Henriques, acrescentando que foi ai que a direcção teve luz verde dos sócios para avançar com o primeiro investimento, um decanter novo, que eliminou as filas de espera e o armazenamento prolongado da azeitona. Seguiu-se a instalação da linha de recepção e a montagem do laboratório, onde se analisa o rendimento da azeitona. E até hoje, as alterações e adaptações, para conseguir melhores resultados não pararam.

Uma das grandes “batalhas” que tiveram de travar com os sócios, foi a do transporte da azeitona, “que tem de ser feito em caixa ou a granel e não em saco”. Na Cooperativa também já não se aceitam as bilhas trazidas pelos sócios. “Todo o azeite sai daqui embalado e rotulado, em garrafões ou garrafas”, referem. Apesar de parecerem pormenores, “nada é descurado, para que não se descure também a qualidade do azeite”.

Outra das alterações que também houve no funcionamento da Cooperativa é que “os sócios agora recebem de acordo com o rendimento da sua azeitona, pois esta é analisada quando entra no lagar, enquanto antes recebiam todos o mesmo, o que levava a que alguns sócios não se preocupassem com a qualidade da azeitona que traziam. Hoje, não só se preocupam, como se ‘fiscalizam’ uns aos outros”.

Estes responsáveis da Cooperativa sublinham que “a qualidade da matéria-prima é fundamental para a qualidade final do produto, mas a capacidade de resposta do lagar também tem de ser tida em conta”, porque “a azeitona não deve esperar mais de 48 horas entre ser colhida e triturada, tal com não deve ser colhida em avançado estado de maturação. Vila Velha de Ródão tem já pergaminhos de longa data, no que se refere à sua azeitona, pelo que o lagar não pode estragar a sua qualidade”.

Evolução a passo certo

Em 1992, a Rodoliv contava com 200 sócios, um número que hoje chega aos 500. Aqui, “os sócios também podem usufruir da ajuda complementar, ou seja, um regime de pagamento único de 10 por cento, que é também um estímulo para chegar à certificação e ajuda na comercialização”. Mas estes prémios só se conseguem “se o trabalho for cada vez melhor”.

Cerca de 90 por cento da azeitona que entra na Rodoliv é da variedade Galega, cultivada em olival tradicional, que dá um toque mais “doce” ao azeite, mas, para isso, “tem de ser colhida no tempo certo”, pelo que “já se faz acompanhamento técnico em alguns olivais”. É que, “um azeite para ser presente a concurso tem de ser feito de acordo com alguns requisitos e um deles é a azeitona estar no ponto certo”.

Até aqui, o azeite produzido na Rodoliv “é todo escoado, pois 80 por cento é levado pelos sócios e os restantes 20 por cento são vendidos pela Cooperativa, muito dele à porta. Está ainda em algumas lojas gourmet e em grandes centrais de compras, como os grupos Sonae ou Makro. Há ainda um cliente em França que leva este azeite para a comunidade portuguesa”.

Mas como nesta área não há metas fixas, o próximo passo será aproveitar alguma fatia dos 20 milhões disponibilizados pelo Quadro de Referencia Estratégica Nacional para esta fileira. Os próximos investimentos podem passar mesmo pela substituição do primeiro decanter que foi instalado; pelo aumento da capacidade para receber mais sócios; pela passagem da laboração de três para duas fases, para preservar mais o ambiente; pela implementação de uma linha de engarrafamento mecânica; e pela compra de um descaroçador, que também vai ajudar no processo de transformação do bagaço em energia. A internacionalização não está fora dos planos da Rodoliv, mas será um passo para dar mais tarde, mais pensado, “porque não podemos competir em quantidade, mas seguramente que podemos competir em qualidade”.